- Preciso resolver algumas
coisas na cidade e passar no hospital para confirmar a consulta da Júlia.
Zenaide vai providenciar o que vocês precisam.
Zenaide era quase que uma
secretária particular da concubina e porque não dizer, sua confidente.
Mas Manuela conhecia seu gado e antes de sair, virou-se para Zenaide, olhou sobre os óculos e com voz de repreensão falou:
Mas Manuela conhecia seu gado e antes de sair, virou-se para Zenaide, olhou sobre os óculos e com voz de repreensão falou:
- Vou num pulo e volto
noutro. Espero encontrar tudo no mesmo lugar, entendeu?
A amiga apenas olhou
ironicamente e virou o rosto, entendendo as entrelinhas daquela mensagem.
Manuela saiu e fechou a porta.
- Ô Dona Zenaide não
precisa se incomodar. Eu e minha filha ficamos aqui esperando a Manuela...
- Nada disso! Não é nenhum incômodo. Vou já providenciar roupa de quarto, toalhas... – E assim Zenaide foi providenciando as coisas para os hóspedes.
- Nada disso! Não é nenhum incômodo. Vou já providenciar roupa de quarto, toalhas... – E assim Zenaide foi providenciando as coisas para os hóspedes.
Júlia, sentada, apenas
ouvia, enquanto sua imaginação divagava em pensamentos confusos entre as coisas
que viriam a acontecer e seu passado.
O casarão de Manuela ia de
um quarteirão ao outro e no meio estava dividido por um vão coberto, sobre um
mínimo espaço de quintal sem muita utilização. No fundo de um corredor havia
uma porta fechada, sem chaves. Aquela porta dava acesso a uma passagem para a
continuidade da casa ao fundo, o bordel.
A residência se conectava a
outra apenas por esta passagem, quase que secreta. Manuela sabia dividir seus
negócios com sua vida pessoal e não permitia que uma coisa interferisse na
outra. Nunca permitiu que clientes e funcionárias adentrassem em seu recinto
familiar, com exceção de Zenaide. Alguns diziam que a alcoviteira sabia de
muitos segredos da patroa, porém, ambas confidenciavam até segredos da república.
Júlia já estava recolhida
em seu quarto e seu pai havia acabado de lhe cobrir com um lençol. Ela estava
cansada da viagem.
Petrônio então fechou a porta do quarto e ao retornar para a varanda se deparou com Zenaide que saia por uma porta ao fundo do corredor. Ele parou e ficou olhando enquanto ela trancava.
Petrônio então fechou a porta do quarto e ao retornar para a varanda se deparou com Zenaide que saia por uma porta ao fundo do corredor. Ele parou e ficou olhando enquanto ela trancava.
- A manu está demorando. –
Assustou-se Zenaide enquanto colocava a chave no corpete entre os seios.
- Nossa! Que susto.
- Desculpe, não queria assusta-la. Mas pra onde vai dar esta porta?
- Agora sou eu quem peço desculpas Sr. Petrônio. Confesso que esta resposta apenas a Manu vai poder responder. Mas, respondendo sua primeira pergunta, a Manu não deve demorar. O Sr. deseja alguma coisa?
- Eu queria mesmo era tomar um bom banho e me deitar.
- Eu também. – Respondeu Zenaide fixamente olhando Petrônio com olhos de desejo.
- Como falou?
- Ah, eu quis dizer que tá fazendo calor e eu também preciso de um banho.
- Desculpe, não queria assusta-la. Mas pra onde vai dar esta porta?
- Agora sou eu quem peço desculpas Sr. Petrônio. Confesso que esta resposta apenas a Manu vai poder responder. Mas, respondendo sua primeira pergunta, a Manu não deve demorar. O Sr. deseja alguma coisa?
- Eu queria mesmo era tomar um bom banho e me deitar.
- Eu também. – Respondeu Zenaide fixamente olhando Petrônio com olhos de desejo.
- Como falou?
- Ah, eu quis dizer que tá fazendo calor e eu também preciso de um banho.
Nesse instante ouve-se o
bater da porta do carro. Sinal de que Manuela acabava de chegar.
- Pronto, sua cunhada
acabou de chegar. Com licença. – E se retirou, descendo uma escada que dava
para um hall lateral.
Aquele casarão era proeminente, decoração rústica da época e sempre limpo, com quadros de pintores famosos, porém, nenhum familiar que não fosse a pintura da proprietária.
Aquele casarão era proeminente, decoração rústica da época e sempre limpo, com quadros de pintores famosos, porém, nenhum familiar que não fosse a pintura da proprietária.
Entrou Manuela.
- Ora, ora, mas pelo visto
cheguei em tempo de encontrar o cunhado ainda de pé.
- Pois é. Eu acabei de perguntar por você pra dona Zenaide e...
- E ai eu cheguei! – Interrompeu Manuela sorrindo.
- Manuela eu não quero incomodar em nada, só precisava de um banho.
- Claro. Me acompanhe, vou providenciar nesse instante.
- Pois é. Eu acabei de perguntar por você pra dona Zenaide e...
- E ai eu cheguei! – Interrompeu Manuela sorrindo.
- Manuela eu não quero incomodar em nada, só precisava de um banho.
- Claro. Me acompanhe, vou providenciar nesse instante.
Petrônio estava meio
desconfiado com aquela presteza e rapidez. Mas o que haveria de fazer? Ele
estava à mercê de sua anfitriã.
Manuela foi andando em direção a um quarto e Petrônio a segui. Ela abriu um guarda-roupas e tirou uma toalha de banho bem macia com um roupão. Abriu a outra porta e mostrou que havia ali uma banheira com um chuveiro.
Mas antes de sair, aproximou-se de Petrônio, olhou nos seus olhos e disse:
Manuela foi andando em direção a um quarto e Petrônio a segui. Ela abriu um guarda-roupas e tirou uma toalha de banho bem macia com um roupão. Abriu a outra porta e mostrou que havia ali uma banheira com um chuveiro.
Mas antes de sair, aproximou-se de Petrônio, olhou nos seus olhos e disse:
- Não tenho pressa. Não vou
atrapalhar seu banho bem gostoso.
A última palavra soou num
tom de provocação, de desejo e tudo que Petrônio pudesse imaginar naquele
instante. Ela então virou-se e saiu do quarto.
Petrônio sozinho se despindo
pensou com seus botões.
- Ora veja, o que essa
mulher vai querer de novo...será...arre égua! Se aquiete ai, oxente!
Esse “se aquiete” foi dirigido para seu membro que já dava uma guinada para a direita, reflexo do seu pensamento e insinuações da cunhada. Talvez esta noite ele escapasse, mas amanhã talvez não.
Não que fosse a intenção de Petrônio, mas era inevitável se aguentar diante daquela mulher prendada para o sexo. Longe da esposa e com a relação abalada, não seria fácil resistir.
Esse “se aquiete” foi dirigido para seu membro que já dava uma guinada para a direita, reflexo do seu pensamento e insinuações da cunhada. Talvez esta noite ele escapasse, mas amanhã talvez não.
Não que fosse a intenção de Petrônio, mas era inevitável se aguentar diante daquela mulher prendada para o sexo. Longe da esposa e com a relação abalada, não seria fácil resistir.
No dia seguinte saíram cedo
para o médico.
Chegando ao hospital, Julia
foi a primeira a ser atendida. Com uma hora e meia de consulta, onde o médico
lhe dispensou total atenção, Petrônio foi chamado para uma outra sala, a pedido
do médico, enquanto Julia aguardava na sala de consulta.
- O Sr. é o pai da Júlia.
Qual a sua graça?
- Petrônio Dr.
- Sr. Petrônio, eu pedi para falar-lhe, longe da sua filha, porque a notícia que tenho não é das mais promissoras. Sua filha foi acometida de um deslocamento de retina, por uma reação traumática. Aqui no Brasil não dispomos de recursos suficientes e mais modernos para o tratamento. Houve uma mínima regressão, sem muita importância.
- Dr. O Sr. quer dizer que minha filha não vai mais enxergar?
- Veja bem seu Petrônio, esse tipo de caso é raro e as chances de reversão são mínimas. Mas um tratamento a longo prazo pode trazer melhoras. Não aqui no Brasil como lhe disse. Estou sendo bastante sincero.
- Petrônio Dr.
- Sr. Petrônio, eu pedi para falar-lhe, longe da sua filha, porque a notícia que tenho não é das mais promissoras. Sua filha foi acometida de um deslocamento de retina, por uma reação traumática. Aqui no Brasil não dispomos de recursos suficientes e mais modernos para o tratamento. Houve uma mínima regressão, sem muita importância.
- Dr. O Sr. quer dizer que minha filha não vai mais enxergar?
- Veja bem seu Petrônio, esse tipo de caso é raro e as chances de reversão são mínimas. Mas um tratamento a longo prazo pode trazer melhoras. Não aqui no Brasil como lhe disse. Estou sendo bastante sincero.
A sinceridade do médico era
tudo que Petrônio não queria ouvir sobre sua filha. Sem dinheiro, ele só
dependia da cunhada para ajudar a jovem a ter uma vida sem muitas limitações.
Até então a Júlia acreditava que tudo era passageiro e que em breve voltaria a
enxergar. Era dolorido para um pai ter de aceitar a realidade dos fatos. Mas
Petrônio sempre lutou pela sua filha e aquela batalha estava apenas começando.
Ao retornarem para a casa,
ao final da tarde, Julia chamou o pai e falou.
- Pai, sinto sua
preocupação e tristeza. O Sr. não quer me falar, mas ouvi uma enfermeira
falando para a outra que meu caso era grave e que o médico ia falar com o Sr.
- Não filha, não é tão grave assim... – Interrompeu a filha.
- Não minta pra mim pai. Eu sei que é. Eu vou fazer o tratamento que for preciso. Sei também que minha tia vai ajudar e não vou desistir. Amo você pai. – Abraça o pai e chora em seu ombro, enquanto com o coração apertado e olhos lacrimejantes Petrônio segura a emoção para não fazer sua filha sofrer mais.
- Não filha, não é tão grave assim... – Interrompeu a filha.
- Não minta pra mim pai. Eu sei que é. Eu vou fazer o tratamento que for preciso. Sei também que minha tia vai ajudar e não vou desistir. Amo você pai. – Abraça o pai e chora em seu ombro, enquanto com o coração apertado e olhos lacrimejantes Petrônio segura a emoção para não fazer sua filha sofrer mais.
Manuela acompanha de longe,
olhando toda aquela cena pela porta entre aberta, mas não interfere no momento
entre pai e filha. Vira de costas e se retira em prantos.
Ambos vão dormir e se preparar para os novos desafios na vida de Julia.
Ambos vão dormir e se preparar para os novos desafios na vida de Julia.
(Continua
na próxima)
Autor, Celso Valois
Autor, Celso Valois
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