sábado, 16 de janeiro de 2016

Capítulo 12 - O flagra

- Judite! – Exclamou Helena em voz de atenção.
Os dois pararam e olharam para Helena, atônitos.

- Podes me explicar porque estas com os seios a pular do corpete?
Enquanto Petrônio estava de joelho no chão ajuntando o macarrão, Judite em pé, atordoada, não percebeu que sua blusa estava aberta e seus avantajados seios saltavam-lhe o corpete. Sem saber o que falar, a mocinha tratou de virar-se de costas para os dois, guardar os seios e apertar o laço do corpete.
- É que arrebentou dona Helena. – respondeu Judite gaguejando e sem jeito.
Enquanto Petrônio se preocupava em disfarçar sua excitação juntando o macarrão do chão, Helena virou-se de costas e se retirou para de onde veio. A essa altura Petrônio não tinha mais nada que lhe incriminasse, de tão nervoso que estava. Tudo havia sumido. Após lavar as mãos, Petrônio foi até onde Helena.
- É muito destrambelhada mesmo essa menina. – Falou Petrônio em voz suave, no quarto. Helena não abriu a boca, apenas retirava as roupas da mala e arrumava no guarda-roupa. Ela parecia irritada.
- Posso saber por que tu tá assim...
- Assim o que – Interpelou Helena.
- Sei lá, irritada. Parece até que viu alma.
- Acho que tu sabes muito bem o que vi.
- E o que tu viu? Posso saber também?
- Ora Zé, não se faça de tolo. O que fazias tu na cozinha e Judite com os peitos de fora?
- Vem cá... você não tá insinuando que...
- Não to insinuando nada Petrônio. 
- Ah, bom. Porque se tivesse...
- Se tivesse o que? – Interrompeu Helena, agora parando o que estava fazendo e olhando diretamente nos olhos do marido.
- Arre égua. Eu vou é almoçar que tô com fome. – E sai do quarto. Petrônio a muito tempo não tinha visto a mulher soltando fogo pelas fuças.
Aquela atitude de Petrônio foi uma saída pela tangente. Ele sabia que sua mulher não teria coragem de exigir detalhes, mas ficou claro para ele o ciúme dela.
Helena há algum tempo já desconfiava, mas dessa vez eles foram longe demais. Apesar de o que ela viu não ter mostrado muita coisa, exceto os seios de Judite, denotou para ela que algo tinha acontecido ou estava para acontecer.
Talvez Helena não se alongou tanto na conversa para não se decepcionar. Mas ela sabia que algum dia essa prosa teria que acontecer e o resultado talvez não fosse muito bom.
Quando ela chegou à mesa, o marido já estava quase terminando. Calado, ele apenas olhava a mulher meio desconfiado e ao mesmo tempo querendo demonstrar indignação.
- A Manu tá vindo semana que vem. – Mais calma e com voz mansa, Helena deu início numa nova conversa.
- Fazer?
- Segundo o tio, ela vem resolver de vez a questão do terreno.
- Já era tempo. Depois de um ano que o advogado deu entrada nos papeis, parece que sua influencia junto ao doutor Alcebiades não deu muito certo.
- Ela tem muito peito... – Petrônio deixou o garfo cair quando ouviu o nome “peito”. – ...pra se atrever a vir até aqui. ( continuou Helena com voz pausada e olhando o marido quando o garfo caiu).
- Pois deixa ela vir. É tudo ou nada. Agora deixa eu ir que já to atrasado 
- Num vai nem tomar um café homem?
- Poso sim.
- Judite, traz o café aqui pro Zé – Gritou Helena para o lado da cozinha.
Nesse momento que Petrônio se dirigia ao quarto, deu meia volta e falou.
- O café fica pra de noite. Lembrei que tá chegando mercadoria nova e tenho que tá lá pra receber. – E foi saindo rapidamente.
- Helena só olhou de rabo de olho para o marido, enquanto Judite adentrava na sala com a bandeja de café.
- Judite, venha cá. Tenho uma pergunta pra te fazer, mas quero que responda a verdade.
- Sim senhora, eu fiz alguma coisa errada? Olha, quando a senhora tava viajando eu só não arrumei tudo...
- Para Judite! A pergunta não se refere a isso.
Helena parecia estar brava e Judite muito nervosa. Mas a patroa foi rápida e rasteira na sua pergunta.

- Judite, me responda. Existe algo entre você e o Petrônio? – Perguntou com firmeza, olhando diretamente para a criada.

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