- Ora, mas será que seu tio
ainda está conversando com o Victor?
- Duvido muito. Do jeito que meu tio estava, já deve estar dormindo há horas.
- Duvido muito. Do jeito que meu tio estava, já deve estar dormindo há horas.
- Então com quem será?
- Deve ser o primo conversando com a Judit.
- O que? (- atônito) Mas que diacho que estes dois tão conversando? Agora?
Petrônio começou a ficar
nervoso e sua feição agora era outra. Parecia apreensivo e agitado ao invés de
sonolento como estava ao entrar no quarto.
- Mas que problema tem
isso? – Falou Helena com tranquilidade.
- Nenhum. E eu disse que tinha problema? Nem isso eu falei ora.
- Não to entendendo essa tua arrelia!
- Que arreliado o que mulher. Só tô imaginando aqui que teu primo tá atrapalhando o sono da moça...
- Ninguém tá atrapalhando nada. Se ela tá conversando é porque tá acordada.
- Claro, tá acordada. Mas podia tá dormindo.
- Mas não tá.
- Dá pra ver, ou melhor, ouvir essa conversinha dos dois.
- E tem mais, os dois são jovens e...
- E o que? Posso saber? – Agora Petrônio já demonstrava irritação.
- Olha, quer saber de uma coisa, me deixa dormir que é melhor.
- Nenhum. E eu disse que tinha problema? Nem isso eu falei ora.
- Não to entendendo essa tua arrelia!
- Que arreliado o que mulher. Só tô imaginando aqui que teu primo tá atrapalhando o sono da moça...
- Ninguém tá atrapalhando nada. Se ela tá conversando é porque tá acordada.
- Claro, tá acordada. Mas podia tá dormindo.
- Mas não tá.
- Dá pra ver, ou melhor, ouvir essa conversinha dos dois.
- E tem mais, os dois são jovens e...
- E o que? Posso saber? – Agora Petrônio já demonstrava irritação.
- Olha, quer saber de uma coisa, me deixa dormir que é melhor.
Helena vestiu seu chambre e
deitou-se virando de lado, enquanto Petrônio andava de um lado pro outro,
claramente irritado. Foi ai que sua esposa esbravejou.
- José Petrônio, não estou
entendendo os motivos dessa sua irritação. Vai ficar andando ai de um lado pro
outro ou vai me deixar dormir?
- Eu vou é tomar minha pinga lá fora que é melhor! – Bateu a porta com força e saiu do quarto.
- Eu vou é tomar minha pinga lá fora que é melhor! – Bateu a porta com força e saiu do quarto.
Helena sabia perfeitamente
os motivos daquela irritação do marido. Na verdade ela não estava zangada, mas
um sentimento de vingança pairava no ar. Provocar ciúmes no marido era cutucar
onça com vara curta e ela não sabia onde isso ia parar.
Tal como uma caçadora, Helena jogou a isca e agora estava à espreita, esperando que a lebre caísse na arapuca. Aquilo não foi premeditado, mas a situação foi se construindo a partir da pergunta do marido. Não que Helena tivesse maldade no coração, muito pelo contrário, mas um pouquinho de sarcasmo não fazia mal a ninguém.
Tal como uma caçadora, Helena jogou a isca e agora estava à espreita, esperando que a lebre caísse na arapuca. Aquilo não foi premeditado, mas a situação foi se construindo a partir da pergunta do marido. Não que Helena tivesse maldade no coração, muito pelo contrário, mas um pouquinho de sarcasmo não fazia mal a ninguém.
Na varanda da casa,
Petrônio de pé, com sua garrafa de pinga na mão, tomava doses cavalares e não
conseguia conter a emoção. Raiva, ciúmes, inveja, angustia, numa mistura de
sentimentos que só estavam piorando a situação. Helena não tinha ideia do que
ela mesma havia provocado e poderia se arrepender disso.
Um coração apaixonado ultrapassa fronteiras da razão e irrigado com doses de álcool, pode levar à atitudes inimagináveis.
A luz da lamparina no quarto de Judite ainda estava acesa e Petrônio sabia que ela se apagava sempre às oito da noite. Dessa vez não era ele quem estava murmurando baixinho no quarto da amante. O desconforto era imenso.
Um coração apaixonado ultrapassa fronteiras da razão e irrigado com doses de álcool, pode levar à atitudes inimagináveis.
A luz da lamparina no quarto de Judite ainda estava acesa e Petrônio sabia que ela se apagava sempre às oito da noite. Dessa vez não era ele quem estava murmurando baixinho no quarto da amante. O desconforto era imenso.
Ele já não estava na
varanda. Foi para o fundo do quinta, onde dava para ver melhor o clarão da luz.
Não havia mais copo nem
taça. Petrônio entornava a garrafa na boca, tomando doses cada vez maiores. A
contar pelo recinto, já era a segunda garrafa e ele estava ali, firme, sem
vacilar. Sabia que não poderia se embriagar. Ele queria ver até o fim onde
aquilo ia parar.
Duas horas se passaram e os murmúrios continuavam. Agora mais alto e mais perto, devido o silencio da madrugada que se estendia.
Já não existia mais um homem ali, naquele momento. A crueldade da mulher fez emergir um turbilhão de sentimentos daquele coração apaixonado. A cada golada Petrônio sentia seu peito doer. Uma dor imensa transbordou em lágrimas contidas que derramavam pelo seu rosto, enquanto olhava fixamente para o quarto da amada.
Petrônio chorava como criança. Isso mesmo. As folhas e insetos da noite presenciaram um homem completamente desmontado, se desmanchando em prantos a contemplar aquela, que por várias vezes a possuiu em seus braços.
Ele se arrependera das oportunidades de não tê-la tratado com mais carinho. Agora estava lá. Vigilante de algo que não podia guardar. Uma angustia cada vez maior lhe perfurava o coração como se fossem mil ferrões de abelhas. Sentado no chão, no escuro do quintal, Petrônio chorava compulsivamente, enquanto lágrimas e cachaça se misturavam em seu peito.
No quarto Helena já dormia serenamente, enquanto seu marido atravessava um dos piores tormentos da sua vida.
A certa altura ele pensou bater na porta do quarto de Judite, mas apesar de bêbado, imaginava que sua reação poderia ser da pior possível, visto não saber o que poderia encontrar.
Quando as vozes baixavam, Petrônio tremia cada vez mais, imaginando que algo pudesse estar acontecendo e na verdade estava.
Aquele galanteador não perdia tempo, e agora afagava os cabelos de Judite, soltos como daquela vez que seu patrão a possuiu na lavanderia.
Porem, naquela noite, tudo não passou de conversa e afagos nos cabelos, mas Petrônio não imaginava nada disso. Sua mente vagava em coisas, tamanha a angustia que sentia.
Do fundo da alma Petrônio rezava para que aquela luz se apagasse, mas por outro lado temia que ao apagar ninguém saísse do quarto. Não sabia o que era pior. A dor da incerteza ou da certeza.
Qual seria sua reação? Até quando ele poderia suportar aquilo como simples telespectador.
Petrônio por fim adormeceu ou desmaiou de tanto esperar.
Duas horas se passaram e os murmúrios continuavam. Agora mais alto e mais perto, devido o silencio da madrugada que se estendia.
Já não existia mais um homem ali, naquele momento. A crueldade da mulher fez emergir um turbilhão de sentimentos daquele coração apaixonado. A cada golada Petrônio sentia seu peito doer. Uma dor imensa transbordou em lágrimas contidas que derramavam pelo seu rosto, enquanto olhava fixamente para o quarto da amada.
Petrônio chorava como criança. Isso mesmo. As folhas e insetos da noite presenciaram um homem completamente desmontado, se desmanchando em prantos a contemplar aquela, que por várias vezes a possuiu em seus braços.
Ele se arrependera das oportunidades de não tê-la tratado com mais carinho. Agora estava lá. Vigilante de algo que não podia guardar. Uma angustia cada vez maior lhe perfurava o coração como se fossem mil ferrões de abelhas. Sentado no chão, no escuro do quintal, Petrônio chorava compulsivamente, enquanto lágrimas e cachaça se misturavam em seu peito.
No quarto Helena já dormia serenamente, enquanto seu marido atravessava um dos piores tormentos da sua vida.
A certa altura ele pensou bater na porta do quarto de Judite, mas apesar de bêbado, imaginava que sua reação poderia ser da pior possível, visto não saber o que poderia encontrar.
Quando as vozes baixavam, Petrônio tremia cada vez mais, imaginando que algo pudesse estar acontecendo e na verdade estava.
Aquele galanteador não perdia tempo, e agora afagava os cabelos de Judite, soltos como daquela vez que seu patrão a possuiu na lavanderia.
Porem, naquela noite, tudo não passou de conversa e afagos nos cabelos, mas Petrônio não imaginava nada disso. Sua mente vagava em coisas, tamanha a angustia que sentia.
Do fundo da alma Petrônio rezava para que aquela luz se apagasse, mas por outro lado temia que ao apagar ninguém saísse do quarto. Não sabia o que era pior. A dor da incerteza ou da certeza.
Qual seria sua reação? Até quando ele poderia suportar aquilo como simples telespectador.
Petrônio por fim adormeceu ou desmaiou de tanto esperar.
Não existe nada pior que a
convivência e aquela relação a mais de seis anos havia forjado, a ferro e fogo,
um amor proibido no coração de Petrônio, confirmado pelas circunstâncias do
momento.
Bem cedo, ainda eram cinco
da manhã quando Judite acordo e se depara com seu patrão deitado ao chão no
quintal.
Judite corre para dentro e
vai chamar Helena, pensando que algo de ruim tinha acontecido.
Quando Helena chega à porta da cozinha e vê o marido deitado ao chão. Toma uma atitude que não era de se esperar.
Quando Helena chega à porta da cozinha e vê o marido deitado ao chão. Toma uma atitude que não era de se esperar.
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