O alvoroço é grande na
porta do armazém. Pessoas correndo para todos os lados tentando se defender.
Mas foi apenas um tiro, acompanhado de um grito abafado que veio de dentro da
loja.
Então Petrônio aparece na porta e gritou desesperadamente.
Então Petrônio aparece na porta e gritou desesperadamente.
- Alguém chame um médico!
Talvez no ímpeto de
socorrer a alguém ele tivesse tomado aquela atitude. Más, que médico? Será que
dezessete anos depois que ele saiu às pressas para socorrer Julia, tenha lhe
faltado a memória que ali, naquele povoado não existe médico nem hospital!
Helena sem a arma na mão,
que lhe foi tomada por Petrônio, olhava com os olhos vidrados a desgraça que
acabará de fazer.
Pela segunda vez Julia estava à beira da morte. Caída ao chão, esvaia-se em sangue enquanto os demais estavam atordoados.
Sua mãe continuava de pé, trêmula, sem ação, sem saber o que fazer.
Pela segunda vez Julia estava à beira da morte. Caída ao chão, esvaia-se em sangue enquanto os demais estavam atordoados.
Sua mãe continuava de pé, trêmula, sem ação, sem saber o que fazer.
- Carol, vai rápido e pede
para que o motorista venha com urgência! – Exclamou Manu para a sua amiga que
se levantada do chão.
Não demorou muito tempo
para que colocassem a jovem Júlia no banco do carro e saíssem em disparada para
a cidade, em busca de um hospital.
Só ficou Helena no armazém,
em estado de choque, acompanhada pelos empregados do marido. Tentaram
levantá-la, mas foi em vão. No primeiro passo Helena desmaiou e foi carregada
pelos braças do Tobias até uma carroça e em seguida levada para casa.
Ela não fala coisa com coisa. Desfalecia e voltava, porém mais urgente seria tentar salvar a vida de Júlia.
Naquela estrada empoeirada o transporte corria em velocidade condizente com os modelos da época. Mas era tudo que tinham.
Júlia no banco de traz, desmaiada no colo do pai que chorava e chamava pela filha.
Ela não fala coisa com coisa. Desfalecia e voltava, porém mais urgente seria tentar salvar a vida de Júlia.
Naquela estrada empoeirada o transporte corria em velocidade condizente com os modelos da época. Mas era tudo que tinham.
Júlia no banco de traz, desmaiada no colo do pai que chorava e chamava pela filha.
- Júlia minha filha, segura
firma, aguenta mais um pouco. – suas lágrimas molhavam os cabelos da menina,
que esmaecia cada vez mais.
Petrônio por um instante se
imaginou a quinze anos atrás, quando pelas mesmas razões, porém motivos
diferentes, carregava Julia no colo lutando pela sua sobrevivência. Daquela vez
sua bravura transgrediu todas as dificuldades da estrada, dos espinhos e sol
escaldante.
- Rápido Tobias, mais
rápido. Essa menina não vai aguentar muito. – Dizia Mnu apressando o motorista.
Apesar das diferenças e
intrigas, o que estava em questão ali era a vida de uma pessoas, sangue do seu
sangue, carne da sua carne, independente do que tivera acontecido outrora.
Em fim chegam a um hospital
e os enfermeiros apostos conduzem a menina para uma sala de atendimento de
emergência.
Seis horas se passaram desde que saíram do local do acidente e a influencia de Manu foi determinante para que os médicos dispensassem a máxima atenção.
Seis horas se passaram desde que saíram do local do acidente e a influencia de Manu foi determinante para que os médicos dispensassem a máxima atenção.
Com a roupa ensanguentada
Petrônio anda de um lado para o outro no saguão do hospital à espera de
notícia. Eis que saí a enfermeira da sala e chama pela família.
- Com licença, os senhores
são parentes da menina?
- Sim, sou a tia e ele é o
pai. – Responde Manu, com o semblante quase chorando.
- O Dr. Vagner virá falar
com os senhores. Por enquanto estamos preparando o centro cirúrgico e
providenciando bolsas de sangue. A menina perdeu muito sangue e passar por
dificuldade. Mas o Dr. Virá explicar melhor. – E se retirou.
- Mas ela vai viver? O que
vai acontecer? – Perguntou Petrônio, nervoso e segurado por Manu pelo braço.
- Calma Petrônio! Julia
está em boas mãos. Vamos orar por ela, é o máximo que podemos fazer agora. – E
conduz o pai, desconsolado até a cadeira.
Os recursos da época não
inspiravam confiança e certeza de que algo poderia ser feito para a salvação de
Julia. Uma coisa Manu estava certa. Orar era a melhor solução.
Em casa, Helena passava por
uma crise nervosa. Deitada na cama ela ardia em febre, transpirava e delirava,
chamando pela filha ininterruptamente. Os vizinhos se alternavam para cuidar
daquela mãe. Ninguém acreditava naquela tragédia, nem tinha ideia do que tinha
levado uma mãe a cometer aquilo. Talvez depois que poeira sentasse, as coisas
iriam se esclarecer. No mais os bochichos cuidavam em várias hipóteses. Uns
diziam que ela pegou o marido com a irmã, outros diziam que o tiro era para o
marido e por aí em diante.
De volta à cidade a
situação permanecia a mesma. Até que um médico aparece no final do corredor e
se dirige em direção ao saguão de espera.
- Quem é o pai da jovem? –
Perguntou o médico em voz alta e nítida.
- Sou eu doutor. O que
aconteceu com minha filha?
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