domingo, 7 de agosto de 2016

Capítulo 38 - A descoberta

- Pois diga, que já passa da hora de dormir. – Manu ajeitava o edredom sem parar, enquanto Julia permanecia calma e com um jeito sapeca.
- Sabe naquela noite, na sua casa? Eu fui beber água na cozinha e não pude deixar de ouvir um barulho que vinha do seu quarto...
- Sim, e daí? – Interrompeu Manu, que parou a arrumação, sentou-se na cama de costas para a sobrinha, como se à espera de uma resposta já esperada.
- Eu ouvi o que vocês faziam no banheiro.
Aquilo soou como uma bomba para Manu. Ela mudou de cor de vergonha e pasma pelo que ouvira. Seus olhares percorriam o quarto à sua frente e seus lábios se abriram como se fosse falar algo, mas nada saía da sua boca. Ela estava em estado de choque. Não sabia até que ponto Júlia teria ouvido, porque visto era impossível. Seu corpo suava apesar do frio que fazia naquela noite. As revelações da menina foram bombásticas para aquele momento.  Continuou Júlia.

- Foi sem querer, a porta estava entre aberta e eu me aproximei... Ouvi o corpo de vocês, ouvi o que a senhora falava, ouvia...
- Pare! – Gritou Manu chorando. – Você não ouviu nada, deve ter sido um sonho, uma sandice da sua cabeça...
- Não tia! Eu estava bem acordada. Alias, dormindo estava minha mãe para não ter desconfiado de nada até agora.
- Você não sabe o que está falando menina.
- Sei muito bem tia. Enquanto minha mãe está só naquela casa, longe da gente, doente, vocês dois prevaricavam...
- Olha o respeito garota!
- Respeito? Quem é a senhora para falar de respeito? Depois de tudo que fez.
- Sou uma mulher, viva, que ama, que abriu mão de sua felicidade a vida toda por causa...
- Por causa de que?
- Por causa... Ora, não interessa. O que importa é o que a vida me trouxe de volta agora...
- Meu pai, a senhora quer dizer! E a minha mãe? Onde ela fica nisso?

Manuela vai até Julia e pega seu dois braços e lhe fala olhando em seus olhos.

- Julia, menina. Você ainda é uma criança para entender certas coisa. Existe um passado que ainda não conhece e não importa que conversemos disso agora.
Uma lágrima desce pelo rosto da menina, que fica sem entender. Manuela continua, fixa em seu olhar e com voz embargada.
- Eu sempre abri mão do seu pai, foi uma questão de família. Eu sei que estou errada, mas a gente não manda no coração. Quando eu percebi já tinha ido longe de mais. Não era minha intenção me intrometer na sua família, prejudicar minha irmã, apesar dos nossos desentendimentos. Foram as circunstancias que nos atraíram. Eu amei o Petrônio no passado, mas abri mão para Helena. Aquela brasa nunca se apagou em mim e... Você sabe... Não, não sabe. Ainda é muito jovem pra isso...
Chorando Julia retruca.
- Não tia, apesar da idade, não sou tão inocente assim, como a senhora pensa. – Julia enxuga as lágrimas e se afasta da tia.
- Então, você entende...
- Não é a questão de entender tia. Não vou me intrometer nisso. Só não queria ver minha mãe sofrer. Não posso falar com meu pai sobre isso...
- Claro que não. Não deve. Não é de bom tom. Deixe que eu converso com ele sobre isso. Digo que você sabe de nós dois e...
- E depois? Vai continuar tudo como está?
- Não. Quero dizer... não sei. As coisas estão confusas na minha cabeça agora. Sei que estamos errados, mas preciso dividir com seu pai esta situação.
- Claro, entendo.
- Sabe Julia, não quero que penses que sou alguém ruim, má, sem escrúpulos.
- Não penso isso da senhora tia. Fique tranqüila. Só penso que as coisas não deveriam ser assim. Eu amo a mamãe, mas também preciso respeitar os sentimentos do meu pai.
- É confuso filha. Aprendi na vida que para alguém ser feliz, outro alguém será infeliz.
- É tarde, vamos dormir.

Manuela deu um beijo na testa da sobrinha e deitou-se na cama ao lado, enquanto Julia fazia o mesmo.
As duas deitadas dissecavam a conversa. O que se passava na cabeça de cada uma? Julia teria realmente entendido a situação da tia? Teria Manuela sido honesta com a sobrinha?
            A vida tinha ensinado muita coisa para Manuela. Ela sabia que a situação era vexatória, mas quantos homens casados ela teve suas aventuras. Mas aquele era diferente. Petrônio foi uma história de amor verdadeira na sua adolescência.
            Quando Julia falou que não era tão inocente assim, apesar da idade, ela tinha em mente uma revelação que estará para fazer á tia. Matheus fez parte de alguns momentos que Julia ainda vai revelar e será uma surpresa para Manu.
            A verdade é que aquela noite de Matheus e Julia, lá na fazenda, não ficou apenas nos amassos e masturbações. Mas esta é uma história que a própria Julia vai contar.


Um comentário:

  1. Como prometido pra hoje. Capítulo 38 quentinho!
    "- Sabe naquela noite, na sua casa? Eu fui beber água na cozinha e não pude deixar de ouvir um barulho que vinha do seu quarto...".

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