- Pois diga, que já passa da hora de dormir. – Manu
ajeitava o edredom sem parar, enquanto Julia permanecia calma e com um jeito
sapeca.
- Sabe naquela noite, na sua casa? Eu fui beber água
na cozinha e não pude deixar de ouvir um barulho que vinha do seu quarto...
- Sim, e daí? – Interrompeu Manu, que parou a
arrumação, sentou-se na cama de costas para a sobrinha, como se à espera de uma
resposta já esperada.
- Eu ouvi o que vocês faziam no banheiro.
Aquilo soou como uma bomba
para Manu. Ela mudou de cor de vergonha e pasma pelo que ouvira. Seus olhares
percorriam o quarto à sua frente e seus lábios se abriram como se fosse falar
algo, mas nada saía da sua boca. Ela estava em estado de choque. Não sabia até
que ponto Júlia teria ouvido, porque visto era impossível. Seu corpo suava
apesar do frio que fazia naquela noite. As revelações da menina foram
bombásticas para aquele momento. Continuou
Júlia.
- Foi sem querer, a porta estava entre aberta e eu
me aproximei... Ouvi o corpo de vocês, ouvi o que a senhora falava, ouvia...
- Pare! – Gritou Manu chorando. – Você não ouviu
nada, deve ter sido um sonho, uma sandice da sua cabeça...
- Não tia! Eu estava bem acordada. Alias, dormindo
estava minha mãe para não ter desconfiado de nada até agora.
- Você não sabe o que está falando menina.
- Sei muito bem tia. Enquanto minha mãe está só
naquela casa, longe da gente, doente, vocês dois prevaricavam...
- Olha o respeito garota!
- Respeito? Quem é a senhora para falar de
respeito? Depois de tudo que fez.
- Sou uma mulher, viva, que ama, que abriu mão de
sua felicidade a vida toda por causa...
- Por causa de que?
- Por causa... Ora, não interessa. O que importa é
o que a vida me trouxe de volta agora...
- Meu pai, a senhora quer dizer! E a minha mãe?
Onde ela fica nisso?
Manuela vai até Julia e pega seu dois braços e lhe
fala olhando em seus olhos.
- Julia, menina. Você ainda é uma criança para
entender certas coisa. Existe um passado que ainda não conhece e não importa
que conversemos disso agora.
Uma lágrima desce pelo rosto da menina, que fica
sem entender. Manuela continua, fixa em seu olhar e com voz embargada.
- Eu sempre abri mão do seu pai, foi uma questão de
família. Eu sei que estou errada, mas a gente não manda no coração. Quando eu percebi
já tinha ido longe de mais. Não era minha intenção me intrometer na sua família,
prejudicar minha irmã, apesar dos nossos desentendimentos. Foram as
circunstancias que nos atraíram. Eu amei o Petrônio no passado, mas abri mão
para Helena. Aquela brasa nunca se apagou em mim e... Você sabe... Não, não
sabe. Ainda é muito jovem pra isso...
Chorando Julia retruca.
- Não tia, apesar da idade, não sou tão inocente
assim, como a senhora pensa. – Julia enxuga as lágrimas e se afasta da tia.
- Então, você entende...
- Não é a questão de entender tia. Não vou me
intrometer nisso. Só não queria ver minha mãe sofrer. Não posso falar com meu
pai sobre isso...
- Claro que não. Não deve. Não é de bom tom. Deixe
que eu converso com ele sobre isso. Digo que você sabe de nós dois e...
- E depois? Vai continuar tudo como está?
- Não. Quero dizer... não sei. As coisas estão
confusas na minha cabeça agora. Sei que estamos errados, mas preciso dividir
com seu pai esta situação.
- Claro, entendo.
- Sabe Julia, não quero que penses que sou alguém ruim,
má, sem escrúpulos.
- Não penso isso da senhora tia. Fique tranqüila.
Só penso que as coisas não deveriam ser assim. Eu amo a mamãe, mas também
preciso respeitar os sentimentos do meu pai.
- É confuso filha. Aprendi na vida que para alguém ser
feliz, outro alguém será infeliz.
- É tarde, vamos dormir.
Manuela deu um beijo na testa
da sobrinha e deitou-se na cama ao lado, enquanto Julia fazia o mesmo.
As duas deitadas dissecavam a conversa. O que se
passava na cabeça de cada uma? Julia teria realmente entendido a situação da
tia? Teria Manuela sido honesta com a sobrinha?
A vida tinha ensinado muita coisa
para Manuela. Ela sabia que a situação era vexatória, mas quantos homens
casados ela teve suas aventuras. Mas aquele era diferente. Petrônio foi uma
história de amor verdadeira na sua adolescência.
Quando
Julia falou que não era tão inocente assim, apesar da idade, ela tinha em mente
uma revelação que estará para fazer á tia. Matheus fez parte de alguns momentos
que Julia ainda vai revelar e será uma surpresa para Manu.
A
verdade é que aquela noite de Matheus e Julia, lá na fazenda, não ficou apenas
nos amassos e masturbações. Mas esta é uma história que a própria Julia vai
contar.
Como prometido pra hoje. Capítulo 38 quentinho!
ResponderExcluir"- Sabe naquela noite, na sua casa? Eu fui beber água na cozinha e não pude deixar de ouvir um barulho que vinha do seu quarto...".