Helena não conseguia
esconder sua ansiedade e desespero por aquela resposta. Ela sabia que a paixão
é uma linha muito tênue entre a razão e o coração. Foi ai que o velho ancião
atento pelo nervosismo daquela mulher, tratou de lhe responder.
- Posso tá cego de um olho,
mas vi muito bem que a negrinha pegou aquela carroça sozinha e de mala e cuia.
Aquela resposta veio como
uma água na fervura. Uma paz interior findou toda a angústia daquela mulher
forte e ao mesmo tempo insegura. À beira do desespero, ela já não se preocupava
mais com a criada, não importando para onde ele teria ido e os motivos daquela
asneira, mas uma alegria invadiu seu coração tal como uma brisa suave e
perfumes do campo. Paz e alegria eram o que ela sentia naquele momento.
- Muito obrigado senhor,
desculpem rapazes pelo incomodo, mas preciso ir agora.
- A senhora não quer companhia até em casa?
- Não obrigada, a lua tá clara e afinal é bem ali na curva.
- A senhora não quer companhia até em casa?
- Não obrigada, a lua tá clara e afinal é bem ali na curva.
Helena então saiu a passos
largos em direção à fazenda, sem temer qualquer perigo que pudesse haver
naquele caminho.
Chegando em casa, percebeu que o cavalo do seu marido já estava amarrado no galho de uma goiabeira. Achou estranho, porque normalmente Petrônio nunca deixa o animal fora da estribaria, mas ao adentrar na sala descobriu o motivo.
Sentado numa cadeira, debruçado sobre o prato de comida, Petrônio dormia com a colher na mão, bêbado e ainda com a roupa do serviço.
Ao invés de brigar como das outras vezes, Helena nunca se sentiu tão satisfeita em chama-lo com calma e afeto para seu quarto. Talvez ela imaginava que era melhor ter um homem bêbado, sujo, mas dormindo em casa, do que tê-lo longe, distante e partido com outra mulher.
O dia amanheceu e como sempre Petrônio já estava de pé, às cinco da manhã, fazendo sua barba.
Ao perceber que Judite não estava na cozinha, voltou ao quarto e se deparou com Helena vestindo sua anágua e se compondo.
Chegando em casa, percebeu que o cavalo do seu marido já estava amarrado no galho de uma goiabeira. Achou estranho, porque normalmente Petrônio nunca deixa o animal fora da estribaria, mas ao adentrar na sala descobriu o motivo.
Sentado numa cadeira, debruçado sobre o prato de comida, Petrônio dormia com a colher na mão, bêbado e ainda com a roupa do serviço.
Ao invés de brigar como das outras vezes, Helena nunca se sentiu tão satisfeita em chama-lo com calma e afeto para seu quarto. Talvez ela imaginava que era melhor ter um homem bêbado, sujo, mas dormindo em casa, do que tê-lo longe, distante e partido com outra mulher.
O dia amanheceu e como sempre Petrônio já estava de pé, às cinco da manhã, fazendo sua barba.
Ao perceber que Judite não estava na cozinha, voltou ao quarto e se deparou com Helena vestindo sua anágua e se compondo.
- Ora, vinha mesmo lhe
perguntar pela Judite, passei na cozinha agora e a mal criada ainda tá
dormindo... – Interrompeu Helena.
- Judite não está dormindo Petrônio e eu é quem vou passar o café hoje.
- Mas porque desta incomodação toda, vai deixar ela dormir...
- Judite foi embora Petrônio – Falou Helena enquanto se vestia.
- Foi embora? Mas, mas como assim. – Atônito e gaguejando retrucou ele.
- É, foi embora, fugiu, sumiu, sei lá. Bem que gostaria de saber o motivo. Talvez você saiba! – Em tom de deboche.
- Mas deixa de besteira mulher. Como que eu ei de saber da vida dessa cunhazinha...
- Se não sabe, então me deixa cuidar do café que daqui a pouco nossa filha acorda e hoje eu sou a criada da casa, até encontrar outra pessoa.
- Judite não está dormindo Petrônio e eu é quem vou passar o café hoje.
- Mas porque desta incomodação toda, vai deixar ela dormir...
- Judite foi embora Petrônio – Falou Helena enquanto se vestia.
- Foi embora? Mas, mas como assim. – Atônito e gaguejando retrucou ele.
- É, foi embora, fugiu, sumiu, sei lá. Bem que gostaria de saber o motivo. Talvez você saiba! – Em tom de deboche.
- Mas deixa de besteira mulher. Como que eu ei de saber da vida dessa cunhazinha...
- Se não sabe, então me deixa cuidar do café que daqui a pouco nossa filha acorda e hoje eu sou a criada da casa, até encontrar outra pessoa.
Aquilo foi um duro golpe
para Petrônio. Aos pouco ele ainda começar a degustar o que tinha acontecido.
No fundo Petrônio sabia que ele tinha alguma coisa a ver com o sumiço se
Judite, mas não conseguia avaliar a extensão do seu envolvimento. O certo era
que em nenhum momento ele poderia deixar transparecer sua tristeza e fazer com
que sua mulher pensasse que aquele assunto era coisa trivial, de
responsabilidade da dona da casa e não ele, sem saber que Helena era muito
inteligente e a fuga de Judite foi a melhor coisa que acontecera naquela casa,
apesar de imaginar do fardo de trabalho que teria dali em diante, ate que
arranjasse outra criada, agora bem diferente da de outrora.
Café passado e mesa posta,
Helena foi ao quarto de Judite procurar alguma pista, algo que justificasse a
sua partida assim tão inesperada. Mas nada encontrou. Sua caixa de roupas
velhas e rasgadas estava vazia, suas velhas bonecas de pano que ganhou assim
que entrou naquela casa não estavam mais lá. Mas como toda mulher tem o sexto
sentido, uma coisa lhe chamou a atenção. Por traz de uma bacia de alumínio,
ainda com as roupas que ela tinha tirado do varal, Helena encontrou várias
porções de chá em pó, aqueles que ela dava para Judite tomar. Isso significava
que algum tempo ela não vinha mais tomando o chá e estava sujeita ao risco de
conceber um filho indesejado.
Helena então saiu do quarto, trancou a porta e guardou a chave, imaginando que seu marido, quem sabe, pudesse um dia qualquer querer recordar alguma coisa por saudade.
É muito difícil para uma mulher admitir esta possibilidade, mas o amor de Helena por Petrônio era maior. Aquele foi o homem que lhe resgatou de uma vida de clausura, pela criação dura do pai. Foi ele quem lhe fez mulher pela primeira vez. Apesar dos defeitos e da ignorância, é ele quem se preocupa e mantém a família, em fim, ele é tudo na vida dela e de sua filha.
Após o café Petrônio lhe beijou a testa e saiu normalmente. Ao tomar distancia, Helena observava por traz da cortina da janela o cavalgar lento do cavalo, como se fossem passos tristes. A certa distância Petrônio parou, virou para traz, olhou por alguns segundos e saiu em disparada.
Pela distancia não dava para ele ver que sua mulher lhe fitava por traz da cortina, assim como ela não poderia sentir o que se passava naquele coração sofredor e dividido. Sua disparada à galope soava como se tudo que acontecera na sua vida com Judite tivesse ficado para traz e daquilo agora queria distancia, para não mais sofrer. E assim a vida continuava na família Soares da Costa.
Helena então saiu do quarto, trancou a porta e guardou a chave, imaginando que seu marido, quem sabe, pudesse um dia qualquer querer recordar alguma coisa por saudade.
É muito difícil para uma mulher admitir esta possibilidade, mas o amor de Helena por Petrônio era maior. Aquele foi o homem que lhe resgatou de uma vida de clausura, pela criação dura do pai. Foi ele quem lhe fez mulher pela primeira vez. Apesar dos defeitos e da ignorância, é ele quem se preocupa e mantém a família, em fim, ele é tudo na vida dela e de sua filha.
Após o café Petrônio lhe beijou a testa e saiu normalmente. Ao tomar distancia, Helena observava por traz da cortina da janela o cavalgar lento do cavalo, como se fossem passos tristes. A certa distância Petrônio parou, virou para traz, olhou por alguns segundos e saiu em disparada.
Pela distancia não dava para ele ver que sua mulher lhe fitava por traz da cortina, assim como ela não poderia sentir o que se passava naquele coração sofredor e dividido. Sua disparada à galope soava como se tudo que acontecera na sua vida com Judite tivesse ficado para traz e daquilo agora queria distancia, para não mais sofrer. E assim a vida continuava na família Soares da Costa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário