sábado, 16 de janeiro de 2016

Capítulo 17 - último coito

- Tal como os porcos, a que ponto chegou! Ajunte-o, és a razão de tudo isso. – Virou-se e retornou para seus aposentos.

Judite nada entendera daquela ordem. Nunca que ela poderia imaginar que foi o pivô e a razão do seu patrão estar jogado ao chão, bêbado.
Recomposto e de barba feita, Petrônio se arrumava para ir ao trabalho, quando Helena entra no quarto.
- Que cena era aquela sua! Dormindo com os porcos? – Havia um tom de ironia naquela frase.
- Ora veja, um homem não pode se embriagar?
- De certo que sim, mas pelo visto, pra te derrubar daquele jeito, foi muito mais que uma garrafa de cachaça.
- Pois foi sim. Foi sua teimosia ontem à noite – Falou irritado e se retirou do quarto.
Helena teve a certeza que seu marido passou a noite em sofrimento e pelo local onde dormiu, deveria estar velando a amante no fundo do quintal.
Enquanto isso na cozinha.
- Bom dia! – Falou Victor para Judith enquanto ela catava o feijão.
- Bom dia, o doutor tomou café foi cedo.
- Nem tanto. Tenho afazeres hoje. Vou passear à cavalo com a prima.
- Pois tá certo.
- Vamos visitar uns amigos próximos, recordar um pouco o passado.
Nesse instante Helena entra na conversa.
- Judite, assim que o tio Miguel chegar, ponha o almoço para ele. Vou sair com o Victor e devo retornar depois das três. Júlia está dormindo e já tirei o leite pra ela.
- Sim senhora dona Helena.
- Pois vamos prima, estou ansioso por este passeio.
Ambos foram para o estábulo. Helena de vestido longo, botas e um chapéu elegante. Montaram nos animais que já estavam preparados e saíram a galope pela estrada empoeirada.
Petrônio estava na loja, quando um velho amigo seu chega.
- Bom dia Petrônio!
- Bom dia Zelão. Que ventos o trazem aqui.
- Tô com um animal doente lá na fazenda e vim comprar um remédio. Ue, mas pensei ter visto o amigo a galope ainda pouco com a comadre.
- Ah tá. Era o filho do Miguel, tio da Helena. Foram visitar os parentes da trizidela.
- Hum, pois bem. Tô indo arretado, depois venho pra gente prosear. Até mais ver.
- Até.
Nesse instante Petrônio abriu um sorriso e chamou um de seus funcionários.
- Careca, cuida ai da loja que vou em casa rapidinho resolver umas coisas.
Mas do que depressa, Petrônio saiu em disparada pra casa. Chegando estavam apenas o Sr Miguel, que já havia retornado, sentado no quarto a ler um livro, como fazia em todas as manhãs e Judite no quarto dela costurando algumas peças de roupa esfarrapadas.
- Sabia que ia encontrar tu aqui minha flor. E foi sentando-se ao lado, bem pertinho.
- Seu Petrônio, dona Helena tá ai...
- Não tá nada. Tu sabes que ela saiu e só chega mais tarde. – Falou mansinho e tirando o pano da sua cabeça.
Aquele era o sinal. Toda vez que Petrônio lhe tirava o pano da cabeça, era porque algo iria acontecer.
- Mas o seu Miguel pode vir aqui... – Interrompeu mais uma vez.
- Esse vem nada, nem me preocupa. Mas o filho dele sim. – Abruptamente ele se levantou da cama e se afastou um pouco, com olhar desconfiado.
- Agora me diz que tanta prosa era aquela ontem entre vocês?
- Que prosa?
- Ora não se faça de besta! Eu ouvi vocês dois aqui no maior frosô!
Judite não tinha como mentir e finalmente entendeu a razão do seu patrão ter amanhecido no chão ao fundo do seu quarto e as palavras da sua patroa ao dar aquela ordem.
- Olha seu Petrônio, ele tava só aqui conversando, mas nós não fez nada não. – Falou Judite em tom explicativo
- Pois fez bem mesmo. Dá próxima vez que eu ver aquele galinho garnisé eu dou uma surra nos dois!
- Vixe Maria. – Sentada na cama, Judite falou temerosa.
- Mas agora eu quero você minha mulatinha.
Calada estava, calada ficou como sempre.
Petrônio foi desabotoando seu vestido e lhe afagando os cabelos. Esta era a oportunidade dele ser carinhoso e se redimir de tantas outras ocasiões com ela, diferente das vezes que a tinha possuído como objeto de prazer.
Para Petrônio aquele momento seria o inverso da noite passada. Enquanto suas mãos deslaçavam carinhosamente e vagarosamente os nós da roupa de Judite, todo resquício de sofrimento se esvaia, tal como a névoa ao amanhecer.
Judite percebia que algo estava diferente. Não entendia direito, mas daquela vez seu algoz não usava nenhum açoite. Muito pelo contrário, cada toque, cada afago era como plumas no seu corpo. Como poderia aquele homem violento de outrora, estar sendo tão amável agora?
Aos pouquinho Judite foi se entregando. Ela não tremia como antes. Sentia arrepio e ia se derretendo nas mãos de Petrônio que já percorria por todo seu corpo.
Tudo estava diferente. Seus instintos se transformavam nas mais variadas formas de carinho. Pela primeira vez Judite levou as mãos até o sexo de Petrônio e pode passear por toda sua extensão, sentindo o volume e as veias que inflavam seu órgão em movimentos de masturbação.
Petrônio completamente despido ao lado da amada, lambia seu pescoço e mordiscava os seus fartos seios ponteagudos. Tudo orquestrado como se estivessem a ouvir um bolero da melhor qualidade.
- Ah minha cheirosa, como eu sofri ontem por ti. – Sussurrou ele no ouvido dela.

Judite não falava nada. Desprovida de qualquer inquietude, ela se soltava como nunca, abrindo as pernas e recebendo seu amado por cima.
Eles se beijavam ardentemente, totalmente nus, ouvindo apenas o cantar dos pássaros lá fora e o vento assobiando na fresta da janela.
Das muitas vezes que a relação não passou de um coito animal, dessa vez Petrônio ousou posições nunca experimentadas.
Sentou-se na beira da cama de molas, a maioria quebradas, colocou Judite de pé na sua frente e beijou-lhe o umbigo.
Com a ponta da língua lhe fez um carinho fora do comum. A principio lhe causou nojo, mas o prazer foi tomando conta até ela se entregar por completo. Pegou-a pela cintura e a fez sentar sobre seu membro, ela se sentia empalada. Não havia mais dor, só prazer. Ela subia e descia em movimentos suaves e retilíneos. Ele a apertava cada vez mais e a puxava contra seu peito, laçando-a pelas costas e cintura. Ela virou de costas e ele a deitou na cama, sem tirar nada de dentro, com os joelhos no chão. Dessa vez ela soltou um gemido silencioso. Deitado sobre ela, ele a penetrava por traz, enquanto ela serpenteava e gemia. Petrônio segurava suas mãos e sobre a amada a fazia delirar de prazer. Mudaram para mais umas três ou quatro posições. Sempre lentamente. Porém ao final, ele a sentou no colo e a beijou fortemente. Virou ela de frente para ele e a fez laçar as pernas sobre seus rins, enquanto com as mãos ajeitou o bruto para dentro dela. Nesse instante uma lágrima desceu do rosto de Petrônio e nela estava escrito uma palavra que Judite não aprendera em nenhum banco de escola. Pela primeira vez não faziam sexo e sim amor.
Ele mordia seus lábios e ela devolvia na mesma intensidade. Foi nesse instante que ambos explodiram num gozo fatal. Ela não parava de pular e ele a puxava com força, entregando em seu útero toda essência do amor.
Após o ato, ambos se vestiram e Petrônio retornou para a loja, sem trocarem uma só palavra.

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