Helena parece transtornada,
diante da tranquilidade de Manuela, perplexidade de Petrônio e da filha que
fica confusa diante da situação.
- Helena! – Fala em tom de
espanto Manu, enquanto os empregados vão saindo da loja sorrateiramente.
- Repita o que eu acabei de ouvir. Será verdade? Você se dar ao desprazer de vir até aqui negociar meu marido...
- Você sabe muito bem Helena qual foi o nosso pacto. – Fala Manu, virando de costas para Helena, com voz firme e determinada.
- Não sei do que você está falando. Vá embora e deixe-nos em paz de uma vez por todas.
- Mas que conversa é essa? Do que vocês estão falando? Pacto?
- Repita o que eu acabei de ouvir. Será verdade? Você se dar ao desprazer de vir até aqui negociar meu marido...
- Você sabe muito bem Helena qual foi o nosso pacto. – Fala Manu, virando de costas para Helena, com voz firme e determinada.
- Não sei do que você está falando. Vá embora e deixe-nos em paz de uma vez por todas.
- Mas que conversa é essa? Do que vocês estão falando? Pacto?
Mais confuso ainda está
Petrônio, que parece zonzo com o que está acontecendo.
- Fale a verdade Helena! – Gritou Manu, puxando o braço da irmã que começa a chorar, mas num ímpeto de coragem se vira para o marido e diz.
- Fale a verdade Helena! – Gritou Manu, puxando o braço da irmã que começa a chorar, mas num ímpeto de coragem se vira para o marido e diz.
- Você vai ouvir as
mentiras de Manuela? Você acredita nessa, nessa... – Antes que Helena conclua, a
irmã se intromete e discursa pausadamente.
- Chega Helena! Petrônio,
todos estes anos a briga pelas terras que nosso pai deixou não passou de
pretexto para um acerto de contas. A verdade é que eu nunca precisei de terras.
Como eu disse, vivi todos estes anos às custas do que sobrou do dinheiro do
nosso pai, - Olhando nos olho de Helena – Mas as circunstâncias me levaram a
tomar outros rumos. Sou dona de prostíbulo sim, mas nunca me prostitui.
Lágrimas correm o rosto
branco e liso de Manuela, e aos pouco ela vai revelando sua trajetória de vida,
forjada a ferro e fogo, meio a sofrimento de solidão e desprezo da família. E
continua.
- Quando moça, nosso pai
prometeu o coração de Helena para o filho do Coronel, homem bruto e dono da
metade das terras que hoje é do nosso pai. Helena me pediu, implorou para que
eu não deixasse ela se casar com aquele homem em troca de terras. Você tinha
dezesseis anos e eu vinte anos apenas.
- Você prometeu que nunca falaria isso – Falou Helena aos prantos, enquanto Manu firme e de forma comovente continuava.
- Você prometeu que nunca falaria isso – Falou Helena aos prantos, enquanto Manu firme e de forma comovente continuava.
- Sim Helena. Mas eu e
Petrônio estávamos nos preparando para nos casar e naquela noite, Petrônio. Eu
não estava com o capataz do meu pai. Foi tudo uma armação para você ter ódio de
mim e fugir com Helena. Ela precisava se libertar e eu abri mão da minha
felicidade...
- Espera, eu me lembro como
se fosse hoje. Seu pai tinha se recolhido para o quarto, eu já estava de saída
quando Helena me pediu para que fosse até a colcheira...
- E ao chegar lá me viu
despida sobre o feno e Bartolomeu saindo pela porta... – Continuou Manu. – Tudo
foi parte de uma armação, pela felicidade de Helena, ela era uma criança ainda.
Então meu pai ficou sabendo, eu fui escorraçada de casa e passei os cinco anos
com meu tio. Quando voltei, você ainda tinha muito ódio de mim Petrônio e seu
coração foi me traindo por Helena.
- Não, eu não lhe trai.
Você escreveu aquela carta dizendo que havia se casado...
- Eu nunca lhe escrevi nenhuma carta Petrônio. – Interrompeu Manu, chorando copiosamente.
- Eu nunca lhe escrevi nenhuma carta Petrônio. – Interrompeu Manu, chorando copiosamente.
- Foi você Helena? –
Perguntou Petrônio olhando para a esposa.
- Eu não tinha outra
chance. Respondeu Helena aos prantos. – Eu tinha que fugir daquele lugar. Meu
pai estava determinado a me casar com um homem que eu não amava ou me mandar
para um convento...
- Foi ai que fizemos um pacto. Eu abriria mão de você em troca daquilo que ela estava sendo vendida, as terras, mas depois que nosso pai morresse, eu devolveria as terras e ela me devolveria você Petrônio. Mas ela não cumpriu com a palavra. Quando voltei da Europa, soube que ela estava grávida, esperando um filho seu. Foi ai que resolvi vir cobrar a promessa. Mas cheguei muito tarde. Naquele dia, ela estava de resguardo e seu advogado era ciente de que não eram as terras que me interessavam. Mas Dr. Baldez me convenceu a voltar numa outra época e as coisas foram caminhando de forma diferente. Helena cada vez mais relutante e eu comendo o pão que o diabo amassou.
- Foi ai que fizemos um pacto. Eu abriria mão de você em troca daquilo que ela estava sendo vendida, as terras, mas depois que nosso pai morresse, eu devolveria as terras e ela me devolveria você Petrônio. Mas ela não cumpriu com a palavra. Quando voltei da Europa, soube que ela estava grávida, esperando um filho seu. Foi ai que resolvi vir cobrar a promessa. Mas cheguei muito tarde. Naquele dia, ela estava de resguardo e seu advogado era ciente de que não eram as terras que me interessavam. Mas Dr. Baldez me convenceu a voltar numa outra época e as coisas foram caminhando de forma diferente. Helena cada vez mais relutante e eu comendo o pão que o diabo amassou.
Sentada numa cadeira,
enxugando as lágrimas que lhe corria pela face, Julia ouvia calada, uma
história sórdida, sombria e estarrecedora.
Na sua frente, em pé estava Manuela, ao lado da esposa Petrônio não escondia os olhos em lágrimas. Apesar de ser um homem duro, forte de caráter, ele parecia decepcionado. Como se a sua vida tivesse sido uma ilusão, durante todos estes anos ao lado de alguém que ele amava.
Helena, sem duvida, amou aquele homem como alguém que a salvou do inferno. No começo não havia amor, mas um sentimento de gratidão aos pouco foi se transformando e não era mentira o quanto ela o amava agora.
O dia que amanheceu ensolarado, apesar de todo o calor da manhã, enchia os corações de um frio gélido e tenebroso.
Na sua frente, em pé estava Manuela, ao lado da esposa Petrônio não escondia os olhos em lágrimas. Apesar de ser um homem duro, forte de caráter, ele parecia decepcionado. Como se a sua vida tivesse sido uma ilusão, durante todos estes anos ao lado de alguém que ele amava.
Helena, sem duvida, amou aquele homem como alguém que a salvou do inferno. No começo não havia amor, mas um sentimento de gratidão aos pouco foi se transformando e não era mentira o quanto ela o amava agora.
O dia que amanheceu ensolarado, apesar de todo o calor da manhã, enchia os corações de um frio gélido e tenebroso.
Enquanto Manuela continuava
a contar detalhes, cada vez mais absurdamente verdadeiro, Helena foi caminhando
devagar para traz do balcão da loja.
Eis que de repente Helena abri a gaveta da escrivaninha e pega uma cartucheira que Petrônio mantém carregada a algum tempo.
Eis que de repente Helena abri a gaveta da escrivaninha e pega uma cartucheira que Petrônio mantém carregada a algum tempo.
Todos se viram para Helena
e Petrônio dá um grito de repreensão.
- Largue esta arma Helena!
Não faça nenhuma besteira.
- Você não vai acreditar
numa palavra desta rameira, prostituta... – Helena está transtornada pelo ódio.
- Sou aquilo que você me fez ser Helena. A vida deu todas as chances para você e só me restou poucas opções. Você roubou minha felicidade... – Retrucou Manuela.
- Não, não é verdade! – Helena estava fora de controle e todos corriam perigo naquele recinto.
- Helena, largue esta arma, pelo amor de Deus! – E Petrônio foi se aproximando da esposa vagarosamente.
- Sou aquilo que você me fez ser Helena. A vida deu todas as chances para você e só me restou poucas opções. Você roubou minha felicidade... – Retrucou Manuela.
- Não, não é verdade! – Helena estava fora de controle e todos corriam perigo naquele recinto.
- Helena, largue esta arma, pelo amor de Deus! – E Petrônio foi se aproximando da esposa vagarosamente.
- Mãe, escuta o pai, solta
esta arma.
Julia ficou de pé e chorando se dirigiu para a mãe, sem resultado. Helena chorava, mas as emoções foram além do que ela poderia suportar. Sua mão tremiam e seu dedo no gatilho... estava prestes a uma tragédia.
Julia ficou de pé e chorando se dirigiu para a mãe, sem resultado. Helena chorava, mas as emoções foram além do que ela poderia suportar. Sua mão tremiam e seu dedo no gatilho... estava prestes a uma tragédia.
- Atira Helena, acaba de
vez comigo. Como você disse, sou a escória da sociedade. Vai atira! – Grita
enlouquecida Manuela e caminha para a direção de Helena.
Julia também corre para a
direção da mãe. Lá fora uma multidão de curiosos cerca a loja, junto com os
funcionários que saíram sem nada entender.
Ouve-se um tiro. Todos correm, menos os que protagonizam a cena de um crime talvez.
A primeira a sair da loja é a amiga de Manu, que logo desmaia na porta para o lado de fora.
Ouve-se um tiro. Todos correm, menos os que protagonizam a cena de um crime talvez.
A primeira a sair da loja é a amiga de Manu, que logo desmaia na porta para o lado de fora.
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